Ação nacional nesta segunda exige reajuste de 100% na tabela SUS.
Pacientes foram atendidos normalmente, mas problemas foram divulgados.
A Santa Casa de Mogi das Cruzes aderiu de forma simbólica à paralisação que mais de 2 mil hospitais filantrópicos programaram para esta segunda-feira (8). A reivindicação é o reajuste de 100% da tabela SUS, que determina o valor dos repasses do governo federal para cada serviço gratuito prestado à população. O hospital manteve o atendimento normal aos pacientes, mas uma faixa foi pendurada na fachada do prédio e funcionários usavam camisetas de apoio ao movimento. Folhetos explicando a situação também foram distribuídos. Segundo a direção da Santa Casa mogiana, há um déficit de 40% em relação ao custo real dos procedimentos. “No fim do mês a conta não fecha”, explica Mário José Calderaro, provedor da Santa Casa. Na cidade de Suzano a adesão também ocorreu de forma simbólica.
Estamos com um déficit de 40% em relação ao custo real dos procedimentos. No fim do mês a conta não fecha."
Mário José Calderaro, provedor da Santa Casa de Mogi das Cruzes
Calderaro explica que a entidade está no vermelho. “Para ter uma ideia, o SUS nos repassa apenas R$ 3,50 para cada exame de urina. O nosso gasto com esse procedimento é de cerca de R$ 10. Recebemos R$ 1,85 por exame de sangue e R$ 10 por consulta. Nós contratamos médicos e fazemos tudo pelos valores de mercado. Há itens com uma defasagem de até 200% entre o repasse da tabela e o custo real”. Segundo Calderaro, a tabela SUS está há cinco anos sem ser reajustada. O reajuste emergencial de 100% é reivindicado para procedimentos de clínica médica geral, clínica cirúrgica geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia. Hospitais filantrópicos de outras partes do País não realizaram procedimentos agendados como "como forma de sensibilização pública pela atual defasagem da tabela SUS", segundo a organização do movimento.
Os pacientes
Para a professora da rede estadual, Eufênica Silva Correa, são justas as mobilizações da Santa Casa. "Eles já pediram ajuda muitas vezes, é sinal de que precisa de mais verba. Como professor, pelo meu convênio sou sempre atendida aqui. Muitas vezes faltam médicos para marcar as consultas", afirma.
Para a professora da rede estadual, Eufênica Silva Correa, são justas as mobilizações da Santa Casa. "Eles já pediram ajuda muitas vezes, é sinal de que precisa de mais verba. Como professor, pelo meu convênio sou sempre atendida aqui. Muitas vezes faltam médicos para marcar as consultas", afirma.
A cozinheira Maria Aparecida Rodrigues também estava na recepção da Santa Casa enquanto esperava a filha marcar um exame. Ela própria acredita que se o hospital tivesse mais recursos não precisaria aguardar tanto para fazer os procedimentos. "Estou com muitas dores nos ossos e marquei um exame só para daqui a dois meses porque não tem médico", reclama.
Questionando o Ministério da Saúde sobre o movimento das Santas Casas e a possibilidade de aumento na tabela do SUS, mas até 13h30 não teve repostas.
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